TÚMULO Modesta cruz de pau numa clareira, Onde pipilem trêfegos sanhaços; Modesta, sim, mas que uma trepadeira, Para enfeitá-la, cinja-lhe os dois braços. E que eu repouse ali, na hospitaleira Sombra do bosque, livre de cansaços, Como quem, pelas horas da soalheira, Foge da estrada aos cálidos mormaços. Ei-lo, o túmulo simples que ambiciono Para deitar a carne fatigada, Para dormir o derradeiro sono. Como serei feliz no meu jazigo! Aves, flores, a mata embalsamada, E eu a dormir, eu a sonhar contigo... 1905 Ricardo Gonçalves Ipês , 1921, p. 147-148. Ortografia atualizada.
Blog criado para homenagear o poeta paulista Ricardo Gonçalves, o Ricardito, autor do livro póstumo IPÊS (1921), e divulgar sua obra.