PRIMEIRO AMOR
A asa que passa, num celeste arpejo,
O nome teu repete, ó linda flor!
E conta a história do primeiro beijo
À luz do sol, ao doce aroma e à cor.
Primeiro beijo do primeiro amor,
Que acalentar as nossas almas veio,
Mas, que partiu depois, partiu... Maldade,
Maldoso amor! deixando-nos no seio
O áspide venenoso, que é a saudade.
A serpe venenosa e traidora
Abandonou-me em lânguido repouso.
Dorme agora
Em nossos corações fartos de gozo.
Porém, oh sim! há de acordar um dia,
Quando sentirmos a asa do desejo
Cantar numa celeste melodia
A doce história do primeiro beijo.
E então, nesse momento, a asa que passa,
E a luz do sol, e o doce aroma, e a cor,
Repetirão talvez com terna graça
A louca história do primeiro amor.
1898
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 135-136. Ortografia atualizada.
A asa que passa, num celeste arpejo,
O nome teu repete, ó linda flor!
E conta a história do primeiro beijo
À luz do sol, ao doce aroma e à cor.
Primeiro beijo do primeiro amor,
Que acalentar as nossas almas veio,
Mas, que partiu depois, partiu... Maldade,
Maldoso amor! deixando-nos no seio
O áspide venenoso, que é a saudade.
A serpe venenosa e traidora
Abandonou-me em lânguido repouso.
Dorme agora
Em nossos corações fartos de gozo.
Porém, oh sim! há de acordar um dia,
Quando sentirmos a asa do desejo
Cantar numa celeste melodia
A doce história do primeiro beijo.
E então, nesse momento, a asa que passa,
E a luz do sol, e o doce aroma, e a cor,
Repetirão talvez com terna graça
A louca história do primeiro amor.
1898
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 135-136. Ortografia atualizada.
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