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Apresentação

Este blog homenageia o poeta paulista Ricardo Gonçalves (1883-1916), conhecido por seus familiares e amigos como Ricardito e autor do livro póstumo IPÊS, publicado em São Paulo em 1921, no qual constam seus poemas originais e traduções.

Juntamente com Monteiro Lobato, Godofredo Rangel e outros estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, Ricardo Gonçalves fez parte do grupo conhecido como Cenáculo; moraram todos juntos numa república instalada nos altos de uma residência no bairro do Belenzinho, cidade de São Paulo.

A casa em que o grupo residiu por cerca de dois anos ganhou de Ricardito o nome de Minarete, o qual continuou na memória dos membros do Cenáculo e na história literária de São Paulo. O Cenáculo ficou conhecido também como Grupo do Minarete ou Cainçalha.

Neste blog será publicada, pouco a pouco, a produção poética original e traduzida de Ricardito; os poemas serão postados aqui na sequência em que constam na edição impressa de IPÊS. A ortografia foi atualizada e a pontuação foi minimamente ajustada.

Publicarei também documentos referentes à vida e obra de Ricardo Gonçalves.

O Editor

Postagens mais visitadas deste blog

Artigo sobre Ricardito e fac-símile em PDF de "Ipês"

Mafuá , revista de literatura em meio digital da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicou um artigo de Samanta Rosa Maia sobre Ricardo Gonçalves, disponibilizando também uma cópia em formato PDF (fac-similar) de Ipês. O artigo e o PDF de Ipês estão disponíveis através do atalho abaixo: https://mafua.ufsc.br/2015/a-scisma-do-caboclo/ Boa leitura!

Ipês XII. A Cisma do Caboclo

A CISMA DO CABOCLO A Valdomiro Silveira Cisma o caboclo à porta da cabana. Declina o sol, mas, rúbido, espadana                Ondas fulvas de luz. No terreiro, entre espigas debulhadas, Arrulham, perseguindo-se a bicadas,                Dois casais de pombinhos parirus. A criação de penas se empoleira; Come a ração no cocho da mangueira                Um velho pangaré. E uma vaca leiteira e bois de carro Pastam junto à casinha, que é de barro,                Coberta de sapé. Longe, uma tropa trota pela estrada. E a viração das matas, impregnada                De perfumes sutis, Traz dos grotões, que a sombra, lenta, invade, O soturno queixume de saudade                Das pombas juritis. Cisma o caboclo. Pensa na morena Que ...

Ipês XVIII. O Rio

O RIO Para as crianças das escolas Rio sonoro que as planícies banha E enche de rumorejos a floresta ― Foi seu berço uma rocha na montanha, Teve uma origem simples e modesta. Era, em começo, um tímido regato De meiga voz e de água cristalina: Desalterava os pássaros no mato, Beijava o caule às flores na campina. As andorinhas leves e graciosas Molhavam na corrente as asas pretas, E roçavam por ele, buliçosas, Numa doce carícia, as borboletas. Vez em quando, uma inquieta saracura, Saindo, cautelosa, do brejal, Da sua face luminosa e pura Mirava-se no límpido cristal. Assim cresceu, e agora, sem descanso, Rega os campos, fecunda as plantações E ora coleia preguiçoso e manso, Ora estronda em profundos boqueirões. E rubro ― quando o sol tinge o horizonte, Alvo ― do plenilúnio à luz tranquila, Marulha sob os arcos de uma ponte, Reflete as casas brancas de uma vila. Leva a abundância ao lar dos pescadores, Move engenhos, carrega embarcações E desliza entre...