O RIO Para as crianças das escolas Rio sonoro que as planícies banha E enche de rumorejos a floresta ― Foi seu berço uma rocha na montanha, Teve uma origem simples e modesta. Era, em começo, um tímido regato De meiga voz e de água cristalina: Desalterava os pássaros no mato, Beijava o caule às flores na campina. As andorinhas leves e graciosas Molhavam na corrente as asas pretas, E roçavam por ele, buliçosas, Numa doce carícia, as borboletas. Vez em quando, uma inquieta saracura, Saindo, cautelosa, do brejal, Da sua face luminosa e pura Mirava-se no límpido cristal. Assim cresceu, e agora, sem descanso, Rega os campos, fecunda as plantações E ora coleia preguiçoso e manso, Ora estronda em profundos boqueirões. E rubro ― quando o sol tinge o horizonte, Alvo ― do plenilúnio à luz tranquila, Marulha sob os arcos de uma ponte, Reflete as casas brancas de uma vila. Leva a abundância ao lar dos pescadores, Move engenhos, carrega embarcações E desliza entre...