JEQUITIBÁ
Nesta chapada verde em que teu vulto impera,
Hoje de cada moita uma voz se levanta
Para cantar a vida; e a vida em cada planta,
A vida em cada arbusto, esplêndida, exubera.
Porém, tu já morreste. Embalde a primavera
Volta e, para saudá-la, a natureza canta.
Que importa se teu vulto a passarada espanta!
Que importa, velho rei, se o machado te espera?!
Morreste! Nunca mais, como nos tempos idos,
Verás na primavera os teus galhos floridos,
Terás como tiveste arvoredo copado.
E tu já foste rei de uma antiga floresta,
E hoje, inválido e só, nem ao menos te resta
Um sabiá que te cante as canções do passado.
1900
Nesta chapada verde em que teu vulto impera,
Hoje de cada moita uma voz se levanta
Para cantar a vida; e a vida em cada planta,
A vida em cada arbusto, esplêndida, exubera.
Porém, tu já morreste. Embalde a primavera
Volta e, para saudá-la, a natureza canta.
Que importa se teu vulto a passarada espanta!
Que importa, velho rei, se o machado te espera?!
Morreste! Nunca mais, como nos tempos idos,
Verás na primavera os teus galhos floridos,
Terás como tiveste arvoredo copado.
E tu já foste rei de uma antiga floresta,
E hoje, inválido e só, nem ao menos te resta
Um sabiá que te cante as canções do passado.
1900
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 119-120. Ortografia atualizada.
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