VISÃO
Na rósea nuvem de um sonho,
Chegas. Minh’alma te vê...
Mas, a visão doce e casta
Rapidamente se afasta,
Sem que tu saibas por quê...
Foge... e logo sobre a alma
Pesado manto de treva
A dor estende minaz.
E essa nuvem que te traz,
A mesma nuvem te leva...
Não quero que me visites,
Meu descorado jasmim,
Quando nesta luta insana,
Feroz alcateia humana,
Vocifera junto a mim...
Mas só, no meu quarto, à noite,
Fico instantes que nem sei...
Haurindo o aroma celeste
Das flores que tu me deste
E dos beijos que te dei.
1899
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 139-140. Ortografia atualizada.
Na rósea nuvem de um sonho,
Chegas. Minh’alma te vê...
Mas, a visão doce e casta
Rapidamente se afasta,
Sem que tu saibas por quê...
Foge... e logo sobre a alma
Pesado manto de treva
A dor estende minaz.
E essa nuvem que te traz,
A mesma nuvem te leva...
Não quero que me visites,
Meu descorado jasmim,
Quando nesta luta insana,
Feroz alcateia humana,
Vocifera junto a mim...
Mas só, no meu quarto, à noite,
Fico instantes que nem sei...
Haurindo o aroma celeste
Das flores que tu me deste
E dos beijos que te dei.
1899
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 139-140. Ortografia atualizada.
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