SÓ
Que noite, santo Deus! A espaços relampeja,
E retumbam trovões. Colo o rosto à vidraça:
Na rua cenagosa e triste ninguém passa,
Atra melancolia o céu plúmbeo poreja.
E eu, tão longe de ti... sozinho, no remanso
Da alcova, enquanto fora estronda a tempestade,
Sinto dentro do peito, a soluçar, de manso,
Queixoso, o bandolim de uma estranha saudade!...
1904
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 137. Ortografia atualizada.
Que noite, santo Deus! A espaços relampeja,
E retumbam trovões. Colo o rosto à vidraça:
Na rua cenagosa e triste ninguém passa,
Atra melancolia o céu plúmbeo poreja.
E eu, tão longe de ti... sozinho, no remanso
Da alcova, enquanto fora estronda a tempestade,
Sinto dentro do peito, a soluçar, de manso,
Queixoso, o bandolim de uma estranha saudade!...
1904
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 137. Ortografia atualizada.
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