AVES DE ARRIBAÇÃO
Um dia, pelo inverno, os passarinhos,
Aos primeiros palores da alvorada,
Abandonam em doida revoada
A tepidez plumosa de seus ninhos.
Deixam a antiga habitação, de arminhos
E de penas finíssimas forrada,
E vão-se para longe dos caminhos,
Através da floresta embalsamada.
Ó aves descuidosas e felizes
Que o benéfico sol da primavera
Demandais noutros climas e países,
Aves de arribação, trêfego bando,
Eu também vou partir... mas quem me dera,
Mas quem me dera ir como vós cantando!
1904
Um dia, pelo inverno, os passarinhos,
Aos primeiros palores da alvorada,
Abandonam em doida revoada
A tepidez plumosa de seus ninhos.
Deixam a antiga habitação, de arminhos
E de penas finíssimas forrada,
E vão-se para longe dos caminhos,
Através da floresta embalsamada.
Ó aves descuidosas e felizes
Que o benéfico sol da primavera
Demandais noutros climas e países,
Aves de arribação, trêfego bando,
Eu também vou partir... mas quem me dera,
Mas quem me dera ir como vós cantando!
1904
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 127-128. Ortografia atualizada.
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