PASSEIO
Vamos pelos atalhos divagando.
Vamos bem devagar, tão de mansinho
Que, em nos vendo passar, a ave do ninho
Ponha a cabeça fora e fique olhando.
Que as borboletas, num iriado bando,
E o buliçoso e arisco passarinho,
Em nos vendo passar pelo caminho,
Continuem nas moitas adejando.
Iremos, passo a passo, olhar perdido,
Tu, segurando a cauda do vestido,
Eu, aparando a palha de um cigarro.
E, na volta, se virmos casualmente
Com seu carro de bois o tio Vicente,
Voltaremos de pândega no carro.
1901
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 117-118. Ortografia atualizada.
Vamos pelos atalhos divagando.
Vamos bem devagar, tão de mansinho
Que, em nos vendo passar, a ave do ninho
Ponha a cabeça fora e fique olhando.
Que as borboletas, num iriado bando,
E o buliçoso e arisco passarinho,
Em nos vendo passar pelo caminho,
Continuem nas moitas adejando.
Iremos, passo a passo, olhar perdido,
Tu, segurando a cauda do vestido,
Eu, aparando a palha de um cigarro.
E, na volta, se virmos casualmente
Com seu carro de bois o tio Vicente,
Voltaremos de pândega no carro.
1901
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 117-118. Ortografia atualizada.
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