O CIGARRO
Fumo um cigarro, acompanhando atento
As espirais macabras da fumaça,
Que sobe para o teto, e se adelgaça,
E perde-se afinal pelo aposento.
E enquanto ulula, fora, a voz do vento,
Seguindo o rendilhado que ela traça,
No coração não sei o que se passa,
Mas adormeço as mágoas um momento.
Oh! quantos sonhos, quantas maravilhas
O perfumado fumo das Antilhas
Faz-me sonhar em noites hibernais!
Dá-me de novo o que eu perdido havia,
Dá-me de novo os sonhos e a poesia
Daqueles tempos que não voltam mais.
1902
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 145-146. Ortografia atualizada.
Fumo um cigarro, acompanhando atento
As espirais macabras da fumaça,
Que sobe para o teto, e se adelgaça,
E perde-se afinal pelo aposento.
E enquanto ulula, fora, a voz do vento,
Seguindo o rendilhado que ela traça,
No coração não sei o que se passa,
Mas adormeço as mágoas um momento.
Oh! quantos sonhos, quantas maravilhas
O perfumado fumo das Antilhas
Faz-me sonhar em noites hibernais!
Dá-me de novo o que eu perdido havia,
Dá-me de novo os sonhos e a poesia
Daqueles tempos que não voltam mais.
1902
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 145-146. Ortografia atualizada.
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