SERENATA
François Coppée
Prometeste-me, pequena,
Para esta noite serena
Um beijo da boca tua,
Por isso bem devagar
Acabo de escorregar
Do céu num raio de lua.
Iremos sem fazer ruído
Pelo atalho percorrido
Tantas vezes ― que prazer!
Iremos pelo caminho
Escutando o borborinho
Das correntes, sem as ver.
E para termos um guia
Através da ramaria,
Na paz noturna dos campos,
Onde tudo é triste e belo,
― Na noite do teu cabelo
Colocarás pirilampos.
Tradução de Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 91-92. Ortografia atualizada.
3- O texto completo da peça de Coppée (em cópia escaneada por Google Books) pode ser conferido aqui: https://ia902703.us.archive.org/23/items/severotorellidr01coppgoog/severotorellidr01coppgoog.pdf.
François Coppée
Prometeste-me, pequena,
Para esta noite serena
Um beijo da boca tua,
Por isso bem devagar
Acabo de escorregar
Do céu num raio de lua.
Iremos sem fazer ruído
Pelo atalho percorrido
Tantas vezes ― que prazer!
Iremos pelo caminho
Escutando o borborinho
Das correntes, sem as ver.
E para termos um guia
Através da ramaria,
Na paz noturna dos campos,
Onde tudo é triste e belo,
― Na noite do teu cabelo
Colocarás pirilampos.
Tradução de Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 91-92. Ortografia atualizada.
Notas:
1- François Coppée (1842-1908), poeta, prosador, dramaturgo e ensaísta francês. Autor de vasta obra, foi membro da Academia Francesa e um dos escritores mais conhecidos de seu tempo. Mais sobre ele aqui (em francês): https://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Copp%C3%A9e.
2- Esta tradução (ou antes, recriação) de Ricardo Gonçalves baseia-se num trecho da peça Severo Torelli, drama em versos de Coppée encenado pela primeira vez em 1883. O poema original tem 16 versos, divididos em 2 estrofes de 8 versos. Ricardo o recompôs em 3 estrofes de 6 versos cada. Eis o original:
Tu m'as promis ton baiser
Pour ce soir, ma brune,
Et je viens de me griser
D'un rayon de lune;
Mais nous fuirons sa clarté,
Pour peu que tu veuilles;
Elle a l'air, les nuits d'été,
De voir sous les feuilles.
Nous prendrons le chemin noir,
Si cher à nos courses,
Où l'on entend, sans les voir,
Le doux bruit des sources;
Et, pour nous guider, passants
Sous la voûte obscure,
Tu mettras des vers luisants
Dans ta chevelure.
In: COPPÉE, François. Severo Torelli. Drame en cinq actes, en vers. Représenté pour la première fois sur le Théâtre National de l'Odeon le 21 Novembre 1883. Paris: Alphonse Lemerre, 1884. p. 71-72.
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