MIMO DE CAÇADOR
À hora em que a treva aos poucos se adelgaça,
Naquele dia, de manhã, bem cedo,
Buscando as fortes emoções da caça,
Rumo da ceva entrei pelo arvoredo.
E, antes que o sol rompesse a bruma escassa,
Fui pôr-me de tocaia, ansioso e quedo,
Ali onde o córrego, ondulando, passa
Entre o maçambará, quase em segredo.
Em breve um ruflo, um galho que estalida,
Um tiro... e após, de uma árvore vizinha,
Cai nas folhas um pássaro sem vida.
E é assim que agora posso dar-te, ufano,
― Mimo de caçador, senhora minha! ―
Este vermelho papo de tucano.
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 71-72. Ortografia atualizada.
À hora em que a treva aos poucos se adelgaça,
Naquele dia, de manhã, bem cedo,
Buscando as fortes emoções da caça,
Rumo da ceva entrei pelo arvoredo.
E, antes que o sol rompesse a bruma escassa,
Fui pôr-me de tocaia, ansioso e quedo,
Ali onde o córrego, ondulando, passa
Entre o maçambará, quase em segredo.
Em breve um ruflo, um galho que estalida,
Um tiro... e após, de uma árvore vizinha,
Cai nas folhas um pássaro sem vida.
E é assim que agora posso dar-te, ufano,
― Mimo de caçador, senhora minha! ―
Este vermelho papo de tucano.
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 71-72. Ortografia atualizada.
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