A CHUVA
Para as crianças das escolas
Estamos em janeiro.
É todo um atoleiro
O leito das estradas,
E a chuva cai violenta,
Na terra lamacenta,
Em bátegas pesadas.
Há uma tristeza imensa
Por tudo ― e a gente pensa
Que o sol não torna mais,
Após dias inteiros
De rijos aguaceiros,
De rudes temporais.
O olhar pelas alturas
Só vê nuvens escuras...
Exulta o lavrador:
Correi pelas chapadas,
Fecundas enxurradas,
Dilúvio benfeitor!
Justo é que a chuva amiga
O lavrador bendiga:
A chuva lhe vem dar
Mais viço ao arvoredo,
Mais flores ao balsedo,
Mais pomos ao pomar.
Rouco sibile o vento,
Caia do firmamento
A chuva em borbotões;
E desde o vale à serra
Encharque, alague a terra,
Fecunde as plantações.
Nestas rechãs, que agora
A água avassaladora
Cobre como um lençol,
Verdes e farfalhantes,
Os milharais pujantes
Hão de sorrir ao sol.
Justo é que a chuva amiga
O lavrador bendiga:
A chuva lhe vem dar
Mais viço ao arvoredo,
Mais flores ao balsedo,
Mais pomos ao pomar.
Para as crianças das escolas
Estamos em janeiro.
É todo um atoleiro
O leito das estradas,
E a chuva cai violenta,
Na terra lamacenta,
Em bátegas pesadas.
Há uma tristeza imensa
Por tudo ― e a gente pensa
Que o sol não torna mais,
Após dias inteiros
De rijos aguaceiros,
De rudes temporais.
O olhar pelas alturas
Só vê nuvens escuras...
Exulta o lavrador:
Correi pelas chapadas,
Fecundas enxurradas,
Dilúvio benfeitor!
Justo é que a chuva amiga
O lavrador bendiga:
A chuva lhe vem dar
Mais viço ao arvoredo,
Mais flores ao balsedo,
Mais pomos ao pomar.
Rouco sibile o vento,
Caia do firmamento
A chuva em borbotões;
E desde o vale à serra
Encharque, alague a terra,
Fecunde as plantações.
Nestas rechãs, que agora
A água avassaladora
Cobre como um lençol,
Verdes e farfalhantes,
Os milharais pujantes
Hão de sorrir ao sol.
Justo é que a chuva amiga
O lavrador bendiga:
A chuva lhe vem dar
Mais viço ao arvoredo,
Mais flores ao balsedo,
Mais pomos ao pomar.
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 67-69. Ortografia atualizada.
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