UMA VELA QUE PASSA...
Longe, um barco de pesca à viração desfralda
A vela, e singra ao sol que rompe a escassa bruma,
Rumo desses ilhéus que o maroiço engrinalda
Com seus flocos de espuma...
Foge... graciosamente enfunada, palpita
No horizonte lilás, como um pássaro exul...
Depois se afasta e é uma asa branca na infinita
Curva do mar azul.
Primeiro amor! sonho formoso de criança,
Cheio de luz, cheio de unção, cheio de graça!
És tu na curva azul de um mar todo bonança
Uma vela que passa...
Longe, um barco de pesca à viração desfralda
A vela, e singra ao sol que rompe a escassa bruma,
Rumo desses ilhéus que o maroiço engrinalda
Com seus flocos de espuma...
Foge... graciosamente enfunada, palpita
No horizonte lilás, como um pássaro exul...
Depois se afasta e é uma asa branca na infinita
Curva do mar azul.
Primeiro amor! sonho formoso de criança,
Cheio de luz, cheio de unção, cheio de graça!
És tu na curva azul de um mar todo bonança
Uma vela que passa...
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 73-74. Ortografia atualizada.
Nota: Verso 6, exul – De acordo com o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e com os dicionários, a grafia correta é êxul, o mesmo que êxule: "desterrado; exilado". O poeta grafou o termo como oxítono, sem o sinal circunflexo, para rimá-lo com azul, no verso 8.
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