OS ELEFANTES Leconte de Lisle O areal infinito é como um rubro oceano, Que resplandece, mudo, em seu leito espraiado. Ondula, imoto, o céu cor de cobre, do lado Do horizonte em que habita o formigueiro humano. Nem rumor e nem vida... O leão, farto, descansa No antro afastado, em meio aos matagais infindos. Vai beber a girafa esguia à fonte mansa, Que a pantera conhece, ao pé dos tamarindos. Dorme tudo. Sequer um pássaro no ar quente, No ar em que gira um sol de fogo, um sol em chama... Às vezes, com volúpia, adormida serpente Faz ondular, morosa, a rutilante escama. O ar inflamado queima. O calor é mais denso. E, bamboleando a massa ─ intrépidos viajantes, Rumo do ermo natal, pelo deserto imenso, Vão-se, num bando escuro, os tardos elefantes. Vêm eles do horizonte ensanguentado e quieto, Vêm levantando o pó, que em nuvem grossa ondeia, E, para não sair do caminho mais reto, Desmoronam com a pata os cômoros de areia. Velho chefe, talvez, é o que à frente cam...
Blog criado para homenagear o poeta paulista Ricardo Gonçalves, o Ricardito, autor do livro póstumo IPÊS (1921), e divulgar sua obra.