AS AVES
A uma menina
Não fugira da gaiola
O sabiá, se adivinhasse
Todo o pranto que te rola
Pelas covinhas da face.
E contudo as aves... pensa
Que elas têm filhos e ninhos...
Imagina a dor imensa
Dos míseros passarinhos!
Imagina que suplício
Quando ouvem, por uma fresta
Da prisão, todo o bulício
Das alvoradas em festa!
Prendê-las... que crueldade!
As avezinhas, querida,
Precisam de liberdade,
Porque a liberdade é a vida.
Precisam voar pelos ares,
Como eu, criança, preciso
Do sol desses teus olhares,
Do mel desse teu sorriso.
Prendê-las? Ora, avalia
Se teu pai por um momento
Tem a louca fantasia
De encerrar-te num convento.
Vamos, querida, liberta
As aves! Coragem! Vamos!
Deixa a portinhola aberta,
Solta aqueles gaturamos;
Solta esse canário esquivo
Que já não sai do poleiro.
É tão triste ser cativo!
Tão penoso é o cativeiro!
Tira a corrente de prata
Dos pés desse periquito.
Que nostalgia da mata
Não tem ele, o pobrezito!
Assim; agora é preciso
Que também tu soltes, louca,
As patativas do riso
Da gaiolinha da boca.
A uma menina
Não fugira da gaiola
O sabiá, se adivinhasse
Todo o pranto que te rola
Pelas covinhas da face.
E contudo as aves... pensa
Que elas têm filhos e ninhos...
Imagina a dor imensa
Dos míseros passarinhos!
Imagina que suplício
Quando ouvem, por uma fresta
Da prisão, todo o bulício
Das alvoradas em festa!
Prendê-las... que crueldade!
As avezinhas, querida,
Precisam de liberdade,
Porque a liberdade é a vida.
Precisam voar pelos ares,
Como eu, criança, preciso
Do sol desses teus olhares,
Do mel desse teu sorriso.
Prendê-las? Ora, avalia
Se teu pai por um momento
Tem a louca fantasia
De encerrar-te num convento.
Vamos, querida, liberta
As aves! Coragem! Vamos!
Deixa a portinhola aberta,
Solta aqueles gaturamos;
Solta esse canário esquivo
Que já não sai do poleiro.
É tão triste ser cativo!
Tão penoso é o cativeiro!
Tira a corrente de prata
Dos pés desse periquito.
Que nostalgia da mata
Não tem ele, o pobrezito!
Assim; agora é preciso
Que também tu soltes, louca,
As patativas do riso
Da gaiolinha da boca.
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 51-53. Ortografia atualizada.
M a r a v i l h a de poema ,
ResponderExcluiré tão lindo , perfeito !
Que ritmo , rimas , o tema .
Vou relê-lo , não tem jeito (:-)
Obrigado pela leitura e comentário. Volte sempre!
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