O RANCHO
No trecho em que a estrada vira,
Junto ao mato que farfalha,
Existe um rancho de palha,
Tosca habitação caipira.
Dentro, as panelas, a rede
De dois ganchos pendurada,
Uma espingarda trochada
E santos pela parede...
Ao fundo, a macega esconde
O ribeirão de águas claras,
Onde bebem veados, e onde
Há lontras e capivaras.
É noite. O fogo flameja
no rancho, espancando a treva,
E o caboclo a voz eleva,
Numa trova sertaneja.
E de uma idade já morta
Aspira todo o perfume,
Sentado junto da porta,
Olhando as chispas do lume.
No trecho em que a estrada vira,
Junto ao mato que farfalha,
Existe um rancho de palha,
Tosca habitação caipira.
Dentro, as panelas, a rede
De dois ganchos pendurada,
Uma espingarda trochada
E santos pela parede...
Ao fundo, a macega esconde
O ribeirão de águas claras,
Onde bebem veados, e onde
Há lontras e capivaras.
É noite. O fogo flameja
no rancho, espancando a treva,
E o caboclo a voz eleva,
Numa trova sertaneja.
E de uma idade já morta
Aspira todo o perfume,
Sentado junto da porta,
Olhando as chispas do lume.
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 27-28. Ortografia atualizada.
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