INOCÊNCIA
Ao Roberto Moreira
(Para o teu filhinho)
Eu sei de certos senhores
Que desdenham, sérios, graves,
O doce aroma das flores
E o terno canto das aves.
Rudes, a alma empedernida,
Não sei de emoção que os vença:
Desconhecem ― dor imensa! ―
O que há de melhor na vida.
Não sabem que às vezes cura
Desalentos, desenganos
A buliçosa ternura
De um querubim de dois anos.
Nem tanta meiguice espelha
O doce riso inocente
De uma boquinha vermelha
Que espera o primeiro dente.
Ao Roberto Moreira
(Para o teu filhinho)
Eu sei de certos senhores
Que desdenham, sérios, graves,
O doce aroma das flores
E o terno canto das aves.
Rudes, a alma empedernida,
Não sei de emoção que os vença:
Desconhecem ― dor imensa! ―
O que há de melhor na vida.
Não sabem que às vezes cura
Desalentos, desenganos
A buliçosa ternura
De um querubim de dois anos.
Nem tanta meiguice espelha
O doce riso inocente
De uma boquinha vermelha
Que espera o primeiro dente.
Ricardo Gonçalves
Ipês, 1921, p. 49-50. Ortografia atualizada.
Comentários
Postar um comentário