ZÉ DA PONTE Ao Monteiro Lobato Em doce transparência cor de opala, Expira a tardezinha; o sol descamba, E o Zé da Ponte enfia-se num pala, Monta a cavalo e toca para o samba. Toca depressa, mas um loro estala, Foge-lhe o pé direito da caçamba, E o socado, com a silha um pouco bamba, Pelas ancas, precípite, resvala. E o Zé da Ponte, cabra destorcido, Peão macota, segundo a voz do povo, Para longe da sela foi cuspido. “Dianho de sorte má!” Caiu sem fala, Perdeu a pagodeira e um ponche novo, Naquela tardezinha cor de opala. Ricardo Gonçalves Ipês , 1921, p. 21-22. Ortografia atualizada.
Blog criado para homenagear o poeta paulista Ricardo Gonçalves, o Ricardito, autor do livro póstumo IPÊS (1921), e divulgar sua obra.